terça-feira, 29 de novembro de 2011

Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sou cinza e pó

"Jacó era trapaceiro, Pedro genioso, Davi foi infiel, Noé se embriagou, Jonas fugiu de Deus, Paulo era um assassino, Gideão estava inseguro, Marta estava angustiada, Tomé era incrédulo, Sara impaciente, Elias estava deprimido, Moisés gaguejava, Zaqueu era pequeno, Abraão era velho e Lázaro estava morto...

Você também não é perfeito, mas Deus pode agir através de você.

Este é o meu conflito... Sou cinza e pó, frágil e inconstante, um conjunto de reações comportamentais predeterminadas... crivado de temores, acossado de necessidades... o requinte do pó e ao pó retornarei...


Todavia, existe em mim algo mais... Posso ser pó, mas sou pó que se inquieta, pó que sonha, pó que tem entranhas, premonições de transfiguração, de uma glória por vir, de um destino preparado, de uma herança que um dia há de ser minha... Assim, minha vida se estende numa penosa dialética entre cinzas e glória, entre fraqueza e transfiguração. Eu sou um mistério para mim mesmo, um incômodo enigma... Sou essa estranha dualidade de pó e glória.

Richard Holloway

quinta-feira, 30 de junho de 2011

1ª NOITE CAIPIRA

Gideão e o exército de 300 homens.

Em certos momentos na vida parece que Deus quer nos destituir de tudo o que tem aspecto de capacidade pessoal para realizar projetos, para colocar a força dEle em nossa vida. Acredito que isso aconteça na vida daqueles que creem para podermos entender que os sonhos e projetos que se realizam em nós é dom de Deus e não acontece pela nossa força e capacidade.

Refleti isso hoje pela manhã ao ler a história de Gideão (Juízes capítulo 6 a 8), que ia guerrear contra os midianitas com um exercíto de 22.000 homens e que Deus realizou testes até que ficassem somente 300. E daí a poderosa ação de Deus se fez e venceram a batalha de maneira maravilhosa.

Se de repente algumas coisas estão sendo tiradas da sua vida, ou você tem passado por provações difíceis, esse pode ser o tempo que Deus está te preparando para a ação completa dEle. E que os desafios futuros não seja superados pela força da sua capacidade para que você se glorie, mas que você veja que a mão de Deus está com você.

terça-feira, 21 de junho de 2011

SOLSTÍCIO DE INVERNO


A luz gera um grande contraste com a escuridão. Aonde a luz chega a escuridão vai embora. A luz significa alegria, ela gera vida, traz calor, desvenda as coisas do mundo aos olhos. Enquanto a escuridão traz tristeza, geral solidão, traz o frio e esconde aquilo que deve ser visto.

O ano no Brasil começa em pleno verão, e janeiro aquele sol a pino o dia inteiro, traz alegria e motivação para realizarmos nossas atividades. Mas à medida que o ano vai passando, os dias vão ficando cada vez menores e as noites mais longas, mais longas... Até chegar o dia de hoje (21/06) solstício de inverno onde temos o menor dia do ano, ou seja, onde a luz vai incidir menos sobre nós.

O inverno de 2011 terá início durante o "solstício" no dia 21 de junho, terça feira, às 14 horas e 16 minutos, com a duração prevista de 93 dias, 15 horas e 49 minutos. O que é "solstício"? A palavra Solstício, deriva do latim, sol + sistere (solstitium), que significa parado, imobilizado e está associada à idéia de que o Sol estaria como que estacionário. Marca a época do ano em que o Sol, no seu movimento aparente na esfera celeste, atinge o máximo afastamento angular do Equador.

Enfim, apesar de gostar muito do inverno, espero que ele seja breve e que logo, logo chegue o verão de novo e os seus dias imensos, quase sem fim na minha imaginação.
Feliz inverno a todos!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A disposição de Calebe

Calebe tinha 40 anos quando foi enviado por Moisés para espiar a terra que seria conquistada no futuro. Ele olhou para aquela terra e disse que bastaria o povo de Deus entrar na terra e expulsar os invasores e assumir a herança do Senhor para o seu povo.

Acontece que as lutas e os desafios seriam muito grandes pois os invasores daquela terra eram povo forte e guerreiro. Mas Calebe acreditava que a força do Deus todo poderoso estava com o seu povo.

Passados 45 anos desse diagnóstico feito por Calebe, ou seja, com 85 anos, ele se senta com Josué e os dois são motivados a entrarem parte mais extrema da terra onde ainda não havia sido conquistado. E essas são as palavras de Calebe:

Pois bem, o Senhor manteve-me vivo, como prometeu. E foi há quarenta e cinco anos que ele disse isso a Moisés, quando Israel caminhava pelo deserto. Por isso aqui estou hoje, com oitenta e cinco anos de idade!

Ainda estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; tenho agora tanto vigor para ir à guerra como tinha naquela época.

Dê-me, pois, a região montanhosa que naquela ocasião o Senhor me prometeu. Na época, você ficou sabendo que os enaquins lá viviam com suas cidades grandes e fortificadas; mas, se o Senhor estiver comigo, eu os expulsarei de lá, como ele prometeu.

Então Josué abençoou Calebe, filho de Jefoné, e lhe deu Hebrom por herança.
Por isso, até hoje, Hebrom pertence aos descendentes de Calebe, filho do quenezeu Jefoné, pois ele foi inteiramente fiel ao Senhor, o Deus de Israel. Josué 14: 10 a 14.

O vigor e a perseverança de Calebe não se esvaíram com as dificuldades. Pelo contrário, seu ânimo e esperança permaneceram o mesmo com o passar dos anos. E a herança dele no Senhor ainda tinha que ser conquistada.

Nós somos desafiados a mantermos a nossa fé ao longo dos anos e o vigor da nossa força em meio aos desafios. Lute, enquanto tiver forças, caminhe, enquanto a sua alma for vigorosa, planeje, enquanto o seu raciocínio é pleno. O que Deus prometeu ainda está por ser conquistado e isso envolve suor, trabalho e dedicação e não é apenas um título para ser pendurado na parede, ou um bem para ser usufruído apenas para o seu gozo individual.

Quais são os sonhos de Deus para a sua vida?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Leve e momentânea

Muitas vezes achamos que as situações do tempo presente são difíceis e duras. Passamos por algumas injustiças e lutas, no entanto a nossa leve e momentânea tribulação produz naquele que confia em Deus um eterno peso de glória.

Medite nesse texto e nessa música do Resgate.

Pois tudo é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de Deus.

Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia.

Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória;

não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas. 2 Coríntios 4: 15 a 18


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Renovação da mente

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sobre foguetes e hábitos

Um foguete para sair da órbita da terra faz um enorme esforço para vencer a força gravitacional. Grande parte da sua energia e combustível é gasto nessa empreitada. Além do que o seu maior desgaste, devido ao atrito, acontece nesse período. Vencido essa barreira ele passa a viajar de maneira calma e tranquila ganhando a imensidão do infinito.

Nas nossas vidas é assim também. Para adquirir uma determinada habilidade ou hábito, como tocar um instrumento, ou dirigir um veículo, o início é desgastante e trazem um grande estresse, como dores na ponta dos dedos no primeiro caso e dores nas pernas no segundo. Mas a medida que conseguimos romper as dificuldades e medos iniciais, passamos a executar essas habilidades de maneira quase natural.

O mesmo acontece para nos desfazermos de certos hábitos e adquirirmos outros. O autor Stephen R. Covey diz que “romper com tendências profundamente arraigadas como as de procrastinar, criticar, ser impaciente e egoísta, tendências que violam princípios básicos da eficiência humana exigem muito mais do que um pouquinho de força de vontade e mudanças sutis em nossas vidas.” Demanda, pelo contrário, um esforço tremendo, mas assim que superamos as dificuldades iniciais, toda a liberdade assume um novo sentido.

Dessa forma, temos o desafio de mudar de dentro para fora, mudando o que é preciso dentro de nós para que as coisas se realizem no nosso exterior. Essa abordagem demonstra que as vitórias particulares precedem as vitórias públicas, que cumprir as promessas feitas a nós mesmo vem antes do cumprimento de promessas feitas a outros.

O nosso desafio é romper com os nossos limites e dificuldades a partir de hoje. Sabendo que fácil não será, mas se não o fizermos poderemos ficar apenas a margem das nossas vidas, não conseguindo atravessar para o outro lado.

Por Eliéser Ribeiro

Encorajamento

Quando vocês forem à guerra contra os seus inimigos e virem cavalos e carros, e um exército maior do que o seu, não tenham medo, pois o Senhor, o seu Deus, que os libertou, estará com vocês. Quando chegar a hora da batalha, o sacerdote virá à frente e dirá ao exército: “Ouça, ó Israel. Hoje vocês vão lutar contra os seus inimigos. Não desanimem nem tenham medo; não fiquem apavorados nem aterrorizados por causa deles, pois o Senhor, o seu Deus, os acompanhará e lutará por vocês contra os seus inimigos, para lhes dar a vitória”.

Deuteronômio 20:1 a 4

quinta-feira, 26 de maio de 2011

PARABÉNS A UM GRANDE AMIGO

Hoje por uma grata coincidência eu estava mexendo num CD jogando no canto do meu guarda-roupa e achei esse vídeo.
E com ele gostaria de homenagear o meu querido amigo André pelo seu aniversário.
Espero que o Eterno te dê muitos anos de alegria e graça para que vc ande sempre nos caminhos do Senhor.
Aprendi com você coisas muito especiais, como ver a vida sempre pelo lado bom, olhar a beleza das pessoas e não os defeitos.
Sua amizade aumenta a minha fé e a minha esperança em Cristo.
Amigo, você é especial para mim.

Parabéns e saudades




Dei pala de rir com o vídeo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Canção óbvia


Escolhi a sombra desta árvore para repousar do muito que farei,

enquanto esperarei por ti.

Quem espera na pura espera vive um tempo de espera vã.

Por isto, enquanto te espero trabalharei os campos e conversarei com os homens

Suarei meu corpo, que o sol queimará;minhas mãos ficarão calejadas; meus pés aprenderão o mistério dos caminhos;meus ouvidos ouvirão mais,meus olhos verão o que antes não viam,enquanto esperarei por ti.

Não te esperarei na pura espera porque o meu tempo de espera é um tempo de que fazer.

Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,:em voz baixa e precavidos:

É perigoso agir

É perigoso falar

É perigoso andar

É perigoso, esperar,

na forma em que esperas,

porquê êsses recusam a alegria de tua chegada.

Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,com palavras fáceis, que já chegaste,

porque êsses, ao anunciar-te ingênuamente ,antes te denunciam.

Estarei preparando a tua chegada como o jardineiro prepara o jardim para a rosa que se abrirá na primavera.


Paulo Freire: (Recife, 19 de setembro de 1921São Paulo, 2 de maio de 1997) foi um educador e filósofo brasileiro. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. Autor de “Pedagogia do Oprimido”, um método de alfabetização dialético, se diferenciou do "vanguardismo" dos intelectuais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica.


Inspiração do blog da minha amiga, Aline Zeeberg: http://confissoesdepsicologa.wordpress.com/


Dinheiro, tecnologia e decadência.

Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no oriente; quando tempo significar apenas rapidez online; quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um esportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo, - então, justamente então – reviverão como fantasma as perguntas: para quê? Para onde? E agora? A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como... Decadência. Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo... O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter se tornado ridículas.

Autor: Martin Heidegger



Extraído de Provocações TV Cultura: http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poemas?search=Quando+a+tecnologia+e+o+dinheiro...&by=title

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Radiografia do Brasil no Censo 2010 - parte II


O Brasil tem 190.755.799 habitantes. É o que constata a Sinopse do Censo Demográfico 2010, que contém os primeiros resultados definitivos do XII Recenseamento Geral do Brasil, divulgada nesta sexta-feira (29/4) pelo IBGE. Os dados mostram ainda que o país segue a tendência de envelhecimento, que para cada grupo de 100 mulheres há 96 homens e que há mais pessoas se declarando pretas e pardas.

Segundo o Censo 2010, atualmente, 24,1% da população brasileira é menor de 14 anos; em 1991, essa faixa etária representava 34,7% da população. Outro fenômeno verificado é o aumento contínuo da representatividade de idosos: 7,4% da população têm mais de 65 anos, contra 4,8% em 1991.

Já a taxa média anual de crescimento baixou de 1,64%, em 2000, para 1,17%, em 2010. Mesmo assim a população brasileira aumentou quase vinte vezes desde o primeiro recenseamento realizado no Brasil, em 1872, quando foram contados 9.930.478 habitantes. Outro dado aponta que as maiores taxas médias de crescimento anual de população foram observadas nas regiões Norte (2,09%) e Centro-Oeste (1,91%), seguidas das pelas regiões Nordeste (1,07%), Sudeste (1,05%) e Sul (0,87%).

De acordo com o IBGE, a média de moradores por domicílio caiu para 3,3; em 2000, a relação entre as pessoas moradoras nos domicílios particulares ocupados e o número de domicílios particulares ocupados era de 3,8. Esse comportamento persistiu tanto na área urbana quanto na área rural, diz o Instituto.

Distribuição por sexo – O levantamento aponta que há 96 homens para cada 100 mulheres no país, resultado em um excedente de 3.941.819 mulheres. Entretanto, nascem mais homens no Brasil: a cada 205 nascimentos, 105 são de homens. A diferença ocorre, segundo o IBGE, porque a taxa de mortalidade masculina é superior. Na relação por situação de domicílio, os homens são maioria no meio rural: 15.696.816 homens para 14.133.191 mulheres. Já no meio urbano, as mulheres seguem à frente, como na média nacional: são 83.215.618 para 77.710.174 homens.

Negros e pardos – Os dados trazem ainda a informação de que há mais pessoas se declarando pretas e pardas. Este grupo subiu para 43,1% e 7,6%, respectivamente, na década de 2000, enquanto, no censo anterior, era 38,4% e 6,2% do total da população brasileira. Já a população branca representava, em 2010, 47,7% do total; a população amarela (oriental) 1,1% e, a indígena, 0,4%.

Analfabetismo caiu – O Instituto aponta que houve melhora no índice de analfabetismo: hoje 9% da população brasileira não é alfabetizada; em 2000 eram 12,9%. Em números absolutos, 14,6 milhões de pessoas não sabem ler nem escrever, de um universo de 162 milhões de pessoas com mais de 10 anos.

Nos próximos meses, o IBGE divulgará novos dados do Censo de 2010 sobre a estrutura territorial do País, a malha dos setores censitários e novas informações sociais, econômicas, demográficas e domiciliares referentes aos dados do universo, conforme pode ser conferido no calendário de divulgações.

Retirado do Blog do Planalto: http://blog.planalto.gov.br/censo-2010-populacao-brasileira-esta-mais-velha-e-chega-a-190-755-799/

terça-feira, 17 de maio de 2011

Radiografia do Brasil no Censo 2010

Retirado do blog do Planalto.

No programa “Brasil em Pauta” desta terça-feira (17/5), o diretor-presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, avaliou que uma das grandes informações positivas levantadas pelo Censo 2010 é que o processo de expansão demográfica do Brasil já não está mais concentrado nas grandes cidades brasileiras – como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre – mas se estendendo por uma quantidade importante de cidades de médio porte em todo o país, o que traz mais oportunidades de emprego para a sociedade. Um exemplo disso é a cidade de Rio das Ostras, que do ano 2000 para o ano de 2010 triplicou sua população, e foi o município que mais cresceu em todo o país.

Por outro lado, Pereira Nunes avalia como negativo o fato de o Brasil ainda ter cerca de 16 milhões de pessoas que vivem em uma faixa de renda considerada de extrema pobreza. O diretor-presidente do IBGE afirmou que o primeiro passo em relação à população brasileira considerada de extrema pobreza foi exatamente a identificação de cidadãos nessas condições de vida. Segundo ele, as informações coletadas pelo IBGE foram repassadas ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que está avaliando os dados e elaborando um programa voltado para esse grupo.

Mas o diretor-presidente do IBGE revela que embora se esteja falando de 16 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, essa pobreza não é homogênea no Brasil, pois em cada lugar ela tem características diferentes: no Maranhão é de uma natureza, na periferia de São Paulo é de outra, em Brasília é de outra natureza. E o que o governo federal está fazendo – não o IBGE, ressalta – é analisar as características socioeconômicas de cada um dos grandes grupos (analfabetos, idosos, sem acesso à saneamento etc) para estabelecer políticas públicas específicas.

Uma outra questão revelada pelo Censo, ao longo dos anos, é o processo cada vez maior de autoreconhecimento do brasileiro em relação à sua cor. Segundo Pereira Nunes, se compararmos o Censo de 2000 com o censo de 2010, houve um aumento da proporção da população que se declarou negra, assim como da que se declarou como indígena. Para se ter ideia, 1,2 milhão não declarou a sua própria cor no Censo de 2000. Esse número caiu para apenas 60 mil pessoas em 2010.

“Isso não quer dizer que a população desse grupo esteja crescendo mais que os demais, não. É simplesmente porque está havendo cada vez mais um autoreconhecimento de cada agrupamento específico (…) ou seja, cada qual se reconhecendo cada vez mais como um cidadão na própria sociedade.”

A questão da idade do brasileiro também é um fator, de acordo com o diretor-presidente do IBGE, que daqui para a frente também passará a fazer parte da agenda de todas as discussões de planejamento da sociedade brasileira para o futuro. A população brasileira está, proporcionalmente, apresentando um número maior de pessoas com mais idade, explicou.

“Só para se ter uma ideia, encontramos no Censo de 2010 cerca de 24 mil pessoas com mais de cem anos de idade.”

Na avaliação dele, a população está envelhecendo por dois motivos que são concomitantes: o cidadão está vivendo cada vez mais, a expectativa de vida está aumentando, e a taxa de fecundidade (dada pelo número médio de filhos que a mulher brasileira tem) está caindo, ou seja, estão nascendo menos crianças.

Pelos dados do IBGE, em 2000 o Brasil tinha 50 milhões de crianças de zero a 14 anos de idade; já em 2010 esse número caiu para 45 milhões. Ou seja, uma queda absoluta de 5 milhões em um país que aumentou – em termos absolutos – em 21 milhões de brasileiros: “Éramos 169 milhões em 2000, e somos 190 milhões em 2010″, esclarece Pereira Nunes. Nesse sentido, deverá haver uma mudança significativa no planejamento da sociedade, explica ele.

“Se eu olho para as próximas décadas eu vejo uma sociedade onde cada vez mais a atenção ao idoso, à saúde, a Previdência Social, o mercado de trabalho, tudo isso terá que levar em consideração uma sociedade envelhecida.”

Os dados apurados pelo IBGE sobre analfabetismo (número de pessoas com mais de 15 anos que declaram não saber ler ou escrever) identificaram um índice de 9,6% em 2010. Segundo Nunes, se hoje a taxa de analfabetismo é de 9,6%, cinquenta, quarenta anos atrás essa taxa era de 50% da população. O que aconteceu, explica o diretor do IBGE, é que essas pessoas de antigamente ingressaram no mercado de trabalho, constituíram família, envelheceram, e ainda hoje são os mesmos que compõem o contingente muito grande de analfabetos, ou seja, os que no passado eram jovens e analfabetos, são hoje os idosos e analfabetos.

Então, a taxa de analfabetismo de idosos no Brasil chega a 26% da população, de cada quatro pessoas com mais de 65 anos de idade, quase uma delas é analfabeta, explica Nunes. Já o analfabetismo da população em idade jovem, até 19 anos, por exemplo, é de 2%, o que significa que para o jovem e para a criança de hoje o acesso à escola está universalizado, e o desafio é outro.

“O desafio que o Brasil tem daqui para a frente não é abrir portas para colocar crianças na escola. As portas já existem. O que precisa é fechar as portas para impedir a evasão escolar e garantir um bom ensino para cada criança brasileira.”

De acordo com Pereira Nunes, o Censo 2010 – do ponto de vista do trabalho de campo, da contagem da população, e do tratamento dos dados – já está concluído. O documento pode ser baixado pela internet no endereço www.ibge.gov.br . A partir de agora, cada um dos temas será aprofundado, com análise do perfil da população, da família e de outros fatores. O diretor-presidente do IBGE informou também que daqui para a frente o Instituto fará uma série de publicações, e chamou a atenção para uma que, especificamente, será muito importante para o planejamento urbano das grandes cidades brasileiras: a que vai identificar, em cada bairro do município, as condições de habitação do cidadão. Pereira Nunes explicou que além de fazer perguntas sobre o cidadão e seu domicílio, o IBGE também estuda o entorno da localidade onde o cidadão habita, para saber se tem iluminação publica, saneamento básico, calçamento, arborização, e acessos para a mobilidade de pessoas portadoras de deficiência.

Na avaliação dele, “trata-se de uma série de informações que servem para o planejamento urbano, e para que o governo local possa tomar medidas para melhorar as condições de vida da população.”

Essas informações serão divulgadas pelo IBGE dentro de algumas semanas. Mas antes de divulgar, o Instituto vai discutir com os gestores de cerca de 375 prefeituras onde foram encontradas situações de habitação não adequadas (que são chamadas de aglomerados subnormais), para que eles conheçam a leitura feita pelo IBGE. “Mas isso não significa dizer que se a prefeitura discordar da leitura do IBGE, o IBGE vai mudar, não”, explicou.

“Se a prefeitura discordar e provar que o dado do IBGE não é como a gente está lendo, a gente vai rever. Não necessariamente a revisão implicará em refazer o trabalho que foi feito.”

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mudando o paradigma

Muito me interessa a questão de como nós formamos nossas opiniões e o que motiva nossas atitudes. Uma resposta pertinente é o desenvolvimento dos nossos PARADIGMAS. Paradigmas são padrões psicológicos, modelos ou mapas que usamos para navegar na vida. Nossos paradigmas podem ser valiosos e até salvar vidas quando usados adequadamente. Mas podem se tornar perigosos se desenvolvermos paradigmas errados, ou destorcidos da realidade.

É importante lembrarmos que o mundo exterior entra em nossa consciência através dos filtros de nossos paradigmas. Os paradigmas funcionam como filtros para nossa realidade, aquilo que consideramos importante, bonito, atraente é filtrado por nossos paradigmas. E nossos paradigmas nem sempre são corretos. Não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos. O mundo parece muito diferente dependendo de nossa perspectiva.

Gostaria de levar vocês a pensar outra coisa agora. Muitos dizem que todos são filhos de Deus, mas isso não é verdade. Permitam-me usar uma analogia de CS Lewis. Existe uma grande diferença entre “gerar” e “criar” algo. Na geração, o que foi gerado é da mesma espécie que o gerador. Mas quando criamos algo, esse algo é de uma espécie diferente.

Desse modo, entendemos que Deus nos criou, portanto somos criaturas dele. E só nos tornamos filhos, ou seja, gerados, quando com o coração cremos e com a boca confessamos que Jesus morreu pelos nossos pecados para nos salvar. E ao sermos gerados nos tornamos assim como Deus. Homens geram outros homens, Deus gera algo semelhante a Ele.

Em sua condição natural, não possui a vida espiritual – um tipo diferente e superior de vida que só Deus é capaz de gerar. Usamos a mesma palavra vida para designar tanto a vida natural, quanto essa vida espiritual da qual eu estou falando. CS Lewis mostra que a vida natural e espiritual é tão importante que ele dá outro nome, respectivamente, “bíos” e “zoé”.

A vida biológica, que vem da natureza e que (como tudo o mais no mundo natural) tende a se corromper e a decair - de modo que só pode se conservar através de contínuos subsídios dados pela natureza na forma de ar, água, alimentos etc. - é “bíos”. A vida espiritual, que é em Deus desde toda a eternidade e que criou o universo natural inteiro, é “zoé”. É certo que “bíos” tem certa semelhança parcial ou simbólica com “zoé”: mas é apenas a semelhança que existe entre uma fotografia e um lugar, ou entre uma estátua e um homem. O homem que tinha “bíos” e passa a ter “zoé” sofre uma mudança tão grande quanto a de uma estátua que deixasse de ser pedra entalhada e se transformasse num homem real. E é exatamente disso que trata o cristianismo. Este mundo é como o ateliê de um grande escultor. Nós somos as estátuas, e corre por aí o boato de que alguns de nós, um dia, ganharão a vida (LEWIS, 2005, pág. 55).

Agora estamos prontos a retornar ao nosso assunto inicial, quando somos gerados novamente, recebemos uma nova vida espiritual e essa nova vida muda completamente os nossos paradigmas, ou como vemos o mundo. Dessa forma, o mundo visto por nós agora passar ser outro, passamos a ter mais compreensão das coisas espirituais e não apenas materiais. Preocupamos-nos mais com as coisas eternas e não efêmeras. Importamos-nos mais em ser, do que ter. Colocamos os nossos tesouros em coisas duradouras e envolvemo-nos menos com coisas banais.

Portanto, aceitar a Jesus Cristo como salvador é mudar o paradigma, é trocar o filtro, é ser gerado de novo, é receber uma nova vida, é passar de “bíos” para “zoé”. É conseguir compreender com plenitude o versículo de II Coríntios 5:17 - "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."

Por Eliéser Ribeiro

Escrito para o blog cristão Territóri 7: http://territorio7.com.br/blog/

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Acertando as contas com o passado

Quem já ouviu alguém dizendo uma expressão saudosista assim: “no meu tempo que era bom”? Ou então: “Quem me dera eu pudesse voltar no tempo”? Tais expressões significam que existe algo que ficou no passado que alguém gostaria que voltasse. No entanto, essa expressão também significa que a pessoa não consegue se realizar no presente e provavelmente não conseguirá ser feliz no futuro.

A bíblia nos orienta sobre isso. Em Eclesiastes 7:10 lemos o seguinte, “Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim.”

As lembranças servem para trazer a memórias pequenas coisas que nos trazem esperança. Quem não se lembra daquele amigo(a) de infância, ou então daquela turma de escola tão especial, ou então dos sinceros mimos da casa da vovó?

Contudo, muitas pessoas sendo ainda jovens não conseguem se desprender de determinadas lembranças da infância e/ou da adolescência e construir uma vida alegre e boa no presente. Tais pessoas são frustradas com o curso da faculdade que escolheram, são decepcionadas com o trabalho que realizam, não se sentem realizados pelo conjunto de amigos que mantém.

Algumas pessoas mantiveram alegre e doce relacionamento afetivo com alguém na adolescência, mas esse relacionamento acabou há anos. E aquilo que parecia sólido e duradouro se quebrou, e os cacos não foram juntados e derretidos para o feitio de um novo vaso de barro até hoje.

Considero muito importante termos boas lembranças, pois elas nos fazem mais humanos, ligados mais a sentimentos do que a razões. Mas nossas lembranças só serão saudáveis se funcionarem como o passado colorindo o nosso presente. Mas se for o passado desbotando as nossas experiências atuais, elas servirão de lamento e angústia.

Portanto, devemos seguir em frente sem perder a esperança e a coragem, como orienta a bela música do U2 Walk on (vídeo acima).

E se a escuridão for nos separar
E se a luz do dia parece estar muito longe
E se seu coração de vidro se partir
E por um segundo você quiser voltar atrás
Oh, não, seja forte

Continue em frente, continue em frente
O que você conquistou, eles não podem te roubar
Não, eles não podem nem sentir isso
Continue em frente, continue em frente
Mantenha-se seguro esta noite.

“A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente.” Søren Kierkegaard




Por Eliéser Ribeiro

Para o Território 7: http://territorio7.com.br/blog/acertando-as-contas-com-o-passado/#more-2981

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Edward Hopper: o pintor da solidão reparadora

Ontem eu conheci um pintor sensacional e gostaria de apresentá-lo aqui. Ele é Edward Hopper (Nyack, 22 de julho de 1882 — 15 de maio de 1967) foi um pintor norte-americano mais lembrado por suas misteriosas representações realistas da solidão na contemporaneidade. Em ambos os cenários urbanos e rurais, as suas representações de reposição fielmente recriadas reflete a sua visão pessoal da vida moderna americana.



Toda a sua obra é marcada por expressar uma solidão manifesta, mas que está longe de ser triste. Ao ver os seus quadros tive a impressão que a solidão retratada não expõe a tristeza e sim a melancolia, que nem sempre é negativa.

Nos quadros de Edward Hopper há uma verdade suspensa, atemporal, como que congelada por um elemento que permeia delicadamente toda a sua obra: a impossibilidade da comunicação humana, a certeza de que somos essencialmente solitários. Só um mestre tira tanto da ponta de um pincel.

Por ser ele um artista novaiorquino, e suas obras transmitirem muito o espírito urbano, acredito que ele retrata muito bem o sentimento que eu compartilho também sobre a cidade grande, de que é o lugar da impessoalidade, do anonimato, e da busca constante por uma identidade.

Apesar de muitos não gostarem da solidão, como eu também não gosto, mas ela pelo menos ela é retratada nos quadros de Hopper como um sentimento reparador, sólido, meio aconchegante de que a qualquer momento alguém vai aparecer para quebrar esse clima.

Por Eliéser Ribeiro

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Por que existe o sofrimento?

Por CS Lewis

Minha própria experiência é mais ou menos a seguinte. Estou progredindo ao longo da estrada da vida em minha condição usual, satisfeita e decaída, absorvido num encontro agradável com amigos marcado para amanhã ou um pouco de trabalho que estimula minha vaidade hoje, um feriado ou um livro novo, quando de repente uma pontada no abdome que pode indicar doença séria, ou uma notícia nos jornais ameaçando o mundo de destruição, faz ruir o meu castelo de cartas. Sinto-me a princípio vencido, com todas as minhas pequenas alegrias desfeitas como brinquedos destroçados. A seguir, devagar e com relutância, pedaço a pedaço, tento enquadrar-me no estado de espírito em que deveria sempre estar.

Chamo minha atenção para o fato de que todos esses brinquedos não tinham o propósito de apossar-se do meu coração, que meu bem real está num outro mundo e que meu único e verdadeiro tesouro é Cristo. E, talvez, pela graça de Deus, venha a ter êxito, e durante um dia ou dois me torno uma criatura que depende conscientemente de Deus e que extrai a sua força das fontes certas. Mas no momento em que a ameaça desaparece, toda a minha natureza salta de volta aos brinquedos: fico até ansioso, que Deus me perdoe, para banir de minha mente a única coisa que me sustentou sob a ameaça, porque ela está agora associada à miséria daqueles poucos dias.

Fica então muito clara a terrível necessidade da tribulação. Deus me teve apenas por quarenta e oito horas e mesmo assim à força de ameaças, de tirar de mim tudo o mais. No momento em que Ele embainha a espada, me comporto como um cachorrinho quando o odiado banho acaba – sacudo-me o melhor que posso e corro a recuperar minha confortável sujeira, se não for no monturo mais próximo, pelo me nos no primeiro canteiro de flores. É por isso que as tribulações não podem cessar até que Deus nos veja transformados ou julgue que nossa transformação é agora impossível.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A diferença entre o Barcelona e o Real Madrid


Sem sobra de dúvida Barcelona e Real Madrid estão entre os melhores times do mundo. Os seus seguidos confrontos fizeram o mundo parar para assistir. Apesar de ter perdido a Copa do Rei, o Barcelona se impôs como melhor time do que o Real Madrid, sendo virtualmente o campeão espanhol e chegando a final da “Libertadores da Europa”. O time do Real conta com estrelas como Cristiano Ronaldo, Káká, Dí Maria, Cassillas entre outros, enquanto o Barça conta com Messi, Villa, Iniesta e etc. Mas o que faz o Barcelona ser o melhor time, uma vez que as duas equipes são compostas de grandes craques? Será apenas a soma dos talentos individuais que fazem com que a equipe catalã seja superior?

Vou indicar pelo menos uma resposta para essas perguntas. O Barcelona conseguiu estabelecer um time com um estilo de jogo, enquanto o Real Madrid é uma equipe formada por excelentes jogadores.

Existe uma grande diferença entre time e equipe, enquanto o primeiro é fundamentado em um conjunto de indivíduos, que associados buscam uma ação comum, com determinado fim, o segundo é um agregado de indivíduos que se juntam para o desenvolvimento de um trabalho.

O time do Barcelona basicamente é composto por jogadores que vem das categorias de base e que são socializados num estilo de jogar futebol e à medida que se precisa de um jogador de uma posição vai para o mercado para comprá-lo. Enquanto a equipe do Real Madrid vai se formando pela aquisição de jogadores com salários astronômicos que se formam por aí no mundo da bola.

Na formação do seu time o Barcelona desenvolve um estilo de jogo que valoriza a posse de bola, a troca de passes e a precisão desses passes. As suas linhas de jogadores avançam juntas à medida que o time sobe ao ataque, sempre sobrando um homem livre para receber a bola. Essa forma de jogar foi internalizada por um longo processo de aprendizagem que levou algum tempo para se cristalizar.

Dessa forma, o time do Barcelona consegue desenvolver certos elementos socioculturais importantes desse esporte magnífico, que é o futebol, integrando um estilo de jogar na estrutura de personalidade de seus jogadores sob a influência de experiências e agentes sociais significativos, como é o caso do seu principal jogador Messi. Por isso, o que se vê são jogadores formando um conjunto integrado e não apenas talentos individuais somados.


Essa diferença de uma equipe e um time é expressa nos números do jogo e no resultado final dos confrontos. No jogo de ontem (03/05/2011) o Barcelona com 64% de posse de bola e 85% de acerto nos inacreditáveis 1372 passes, marcou a diferença contra o seu adversário que tem 36% da posse da bola e 69% de acerto dos seus 639 passes. E com o detalhe de que a equipe do Real que precisava da vitória, no mínimo, por dois gols de diferença no Camp Nou para jogar a final da Liga dos Campeões. Como definiu André Rocha, foi a vitória de um estilo de jogo.

Por Eliéser Ribeiro